Ferrovia do Grão (EF-170) neoextrativismo e dependência
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Neste trabalho buscamos indicar “ex ante” as potenciais transformações que o projeto da EF-170 (Ferrogrão) acarretará, situando o empreendimento em seu contexto institucional e desvelando aspectos da dinâmica do planejamento e uso desta infraestrutura do agronegócio. Serão apontadas, de igual modo, as principais empresas e grupos interessados na consecução deste empreendimento, bem como ações aplicadas à sua concretização. Partindo das noções de território usado e neoextrativismo, reinterpretamos um conjunto de dados e informações oficiais e públicas referentes ao projeto, realizando uma análise de conteúdo deste material; a avaliação de fontes hemerográficas e legislações relacionadas ao empreendimento também foi operada. Tais procedimentos permitiram evidenciar a Ferrogrão como peça de um modelo de desenvolvimento, baseada em reforço de um padrão exportador de especialização produtiva (agro-mineral), com forte apoio do Estado, cujo efeito promove expectativas e conflitos quanto ao uso do território, elementos que depõem contrariamente ao alegado valimento socioambiental declarado no empreendimento.
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