Neoextrativismo e crise socioambiental no vale do Tapajós a expansão da fronteira de exploração

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André Paiva Rodrigues
Vera Santana Luz

Sustentados pelo reordenamento produtivo da globalização neoliberal e pela grande elevação no mercado internacional dos preços das “commodities”, Brasil e América Latina promovem, em anos recentes, forte incremento de suas cadeias agroextrativistas, permitindo expansão das fronteiras de exploração para territórios anteriormente preteridos pelo capital, combinando acumulação originária e por espoliação. Buscamos identificar a expansão das fronteiras da agroprodução e incorporação territorial na bacia rio Tapajós, avaliando algumas de suas consequências, à luz dos conceitos de território usado e neoextrativismo. Através de pesquisa bibliográfica e documental, evidenciou-se que os circuitos de exploração do neoextrativismo, ao expandirem-se às fronteiras da Amazônia Legal, promovem intrusão violenta sobre as terras de povos originários e camponeses ribeirinhos, desorganizando os usos tradicionais que fazem de seus territórios e promovendo um modelo de ocupação da terra que abre caminho para torná-lo uma zona de sacrifício.

Paraules clau
incorporação territorial, território usado, acumulação primitiva, zonas de sacrifício, Amazônia Central

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Com citar
Paiva Rodrigues, André; Santana Luz, Vera. «Neoextrativismo e crise socioambiental no vale do Tapajós: a expansão da fronteira de exploração». Revibec: revista iberoamericana de economía ecológica, 2023, vol.VOL 36, núm. 2, p. 1-18, https://raco.cat/index.php/Revibec/article/view/435584.
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