Microeconomia neoclássica contra a Natureza constructos, conceitos e armadilhas sócio-ecológicas da teoria econômica no Antropoceno

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Fabiano Costa Coelho
Peter H. May
Francisco José Mendes Duarte

Vastas evidências científicas apontam consequências planetárias que, além de profundas, foram imprevistas por diversas tradições do pensamento socioeconômico. Este artigo investiga a microeconomia neoclássica, que, se definida consoante sua mensagem fundamental, é a teoria do puro egoísmo como agente do bem comum, assegurado pelo liberalismo em mercados existentes, crescentes e novos, tradição em que a maioria dos economistas é formada. Para destrinçar tal microeconomia e suas repercussões sociais e ecológicas, realizamos uma revisão holística que combina o exame de seus conceitos socioecológicos (bens públicos, externalidade, equilíbrio geral e propriedades de bem-estar), fragilidades e paradoxos metodológicos do programa, e formas primárias de, não prever, criar realidade conforme seus motivos e métodos, afetando o desenho institucional, como o mercado de carbono e as avaliações valorativas do meio ambiente. A microeconomia, âmago científico do neoliberalismo, tem sido crucial na leitura de mundo, inclusive da crise planetária, na qual, a partir de uma certa perspectiva econômica, alegadamente neutra e universal, oferece respostas. Faz crer que é mais parte da solução do que do problema, levando a situações esdrúxulas como o ensino perpetuado da "prova" do equilíbrio geral, quando temos um enorme desequilíbrio planetário. O Antropoceno é senão um reflexo em larga escala das falácias atribuíveis ao Homo economicus, ao equilíbrio geral e aos processos econômicos capitalistas.

Paraules clau
microeconomia, Natureza, economia ecológica, equilíbrio geral, desequilíbrio planetário, externalidade, avaliação econômica ambiental, democracia, performatividade, mercado de carbono, responsabilidade sócio-ambiental, bem-estar, bens públicos, produtividade do trabalho

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Costa Coelho, Fabiano et al. «Microeconomia neoclássica contra a Natureza: constructos, conceitos e armadilhas sócio-ecológicas da teoria econômica no Antropoceno». Revibec: revista iberoamericana de economía ecológica, 2022, vol.VOL 35, núm. 1, p. 73-93, http://raco.cat/index.php/Revibec/article/view/418638.
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