A tirania da excitação: adicção sexual e masoquismo mortífero
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No panorama da vida sexual contemporânea, a procura por lubricidade, substâncias estimulantes e perpetuação de experiências hedonistas, em numerosos casos, não fica limitada ao âmbito de um simples exercício do prazer. Frequentemente resulta em uma sexualidade desenfreada e compulsiva. Este artigo, dedicado ao estudo psicanalítico da adicção sexual, tem por objetivo examinar os aspectos paradoxais de preservação e destruição implicados na ocorrência desse quadro psicopatológico. A partir do exame metapsicológico dos conceitos de masoquismo de vida e masoquismo de morte (Rosenberg) e da apresentação de três vinhetas clínicas, um duplo problema é avaliado: se, por um ângulo, a adicção sexual pode ser compreendida como uma estratégia defensiva diante de situações psíquicas adversas, por outro, a aderência cega aos próprios impulsos conduziria o sex-addict a uma experiência masoquista de caráter mortífero, articulada a um prolongamento mórbido da estimulação sexual.
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(c) Ney Klier, Monah Winograd, 2025
Ney Klier, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Psicanalista; pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Doutor em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro/RJ, Brasil.
Monah Winograd, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Psicanalista; professora associada do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); coordenadora do Laboratório de Pesquisas Avançadas em Psicanálise e Subjetividade (LAPSU). Doutora em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Rio de Janeiro/RJ, Brasil.
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