Jean Lorrain: Humor como vetor de tensão do fantástico

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Fábio Lucas Pierini
Comumente associamos a narrativa fantástica ao medo, ao perigo da morte, à violência, à dor e ao sofrimento, como se eventos sobrenaturais fossem obrigatoriamente de natureza maligna. Por essa mesma razão, a mente humana afasta a possibilidade de uma narrativa fantástica conter elementos de humor, dada a pretensa incompatibilidade entre o riso e o medo. Entretanto, preferimos entender medo e riso como forças antagônicas, mas complementares porque ambas se alimentam reciprocamente: rimos do outro porque ele tem algo a temer que nós não tememos; ou rimos de nós mesmos quando descobrimos que a causa de nosso próprio medo é superada. Dessa forma, podemos entender o riso como forma de evitar a vinculação daquele que ri com uma ameaça, seja de forma preventiva (antes ou durante o evento sobrenatural) ou de forma retrospectiva (passada a situação assustadora). No caso dos contos "Lanterne magique" (1891) e "L'egregore" (1891) de Jean Lorrain (1855-1906), o humor apresenta-se como oposição à realidade sobrenatural oculta sob o véu da realidade ordinária em que vivem os personagens, isto é, apresenta-se como vetor de tensão do fantástico, contrapondo-se cética e ironicamente à leitura ocultista feita por um dos personagens acerca das atitudes e hábitos de frequentadores da alta-roda parisiense da belle époque.
Palabras clave
Jean Lorrain, Narrativa fantástica, Humor

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Cómo citar
Pierini, Fábio Lucas. «Jean Lorrain: Humor como vetor de tensão do fantástico». Brumal. Revista de investigación sobre lo Fantástico, 2018, vol.VOL 6, n.º 1, pp. 19-39, https://raco.cat/index.php/Brumal/article/view/340623.