Para a memória cultural europeia: da variedade de línguas à comunidade d textos

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Aires A. Nascimento

É grande a diversidade de línguas: cada uma tem a sua identidade própria, mesmo que pertencente
a uma família em que se notam maiores afinidades. Faz parte da cultura entender
a sua tradição e reconhecer os traços que marcam essas afinidades: sentimos aversão a confinar-
nos a um «esperanto» qualquer ou a um recanto que seja um «globalish». Se há «fronteiras
de vidro», para utilizar expressão do mexicano Carlos Fuentes, tememos as separações
que, apesar de transparentes são gaiolas que evitam aproximações. As línguas europeias são
unidades que radicam em tradições que tem origem nas culturas que remontam à Grécia e
a Roma, num pequeno universo que de mediterrânico se tornou planetário: é importante
reconhecer não apenas as unidades de fala, mas sobretudo das conexões criadas através dos
seus textos, em leituras múltiplas que marcaram os tempos, na sua longa duração e nas suas
longas vivências que permanecem na memória colectiva. Textos clássicos, latinos, medievais,
renascentistas ou mais recentes são fonte fecunda de renovação e de alargamento cultural.

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Com citar
Nascimento, Aires A. «Para a memória cultural europeia: da variedade de línguas à comunidade d textos». Butlletí de la Reial Acadèmia de Bones Lletres de Barcelona, 2014, vol.VOL 54, http://raco.cat/index.php/BoletinRABL/article/view/427034.